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Capitulo 2 - Algo que só o tempo dirá

3 de maio de 2017 |


Uma estranha criatura humanóide voava pelos céus com graciosidade, suas leves penas brilhantes e coloridas ligeiramente esvoaçando nas brisas leves de vento daquela serena madrugada, o corpo dotado de inúmeros atributos de pássaro era cheio de uma beleza deslumbrante que cortava a respiração a qualquer um. Tais características indicavam que tal figura alada era um jovem macho da espécie Kinnara, um magnifico exemplar de uma das mais belas e encantadoras espécies humanóides do reino de Dreamian.
Este sobrevoava o grandioso palácio real e seus graciosos jardins que se realçavam distintamente no topo daquele monte encantador encontrado no centro de uma nobre e pequena cidade, de dia tudo era ainda mais belo, o sol radiante possibilitava a visão de todos os detalhes deslumbrantes das paredes e grandes torres, as fachadas de decorações únicas e o grande jardim fantástico faziam qualquer um se encantar facilmente com tamanha excelência.

A figura elegantemente pousava em frente a um supremo portão, a principal entrada para o interior do palácio, ele trazia uma mochila cheia de documentos das mais variadas formas, pareciam cartas e pergaminhos classificados com inúmeros endereços e o nome dos seus possíveis destinatários. Pela forma de seus trajes o mesmo lembrava um carteiro qualificado que servia directamente o rei na transferência de mensagens entre as várias províncias e regiões do reino especialmente entre as pessoas das classes sociais mais altas.
Em frente ao grandioso portão estavam vários guardas devidamente posicionados nas suas típicas rotinas, um deles se aproximava calmamente do homem Kinnara e recebia a visita, pela forma do corpo humanóide com cabeça de lobo, a cauda de sereia, varias barbatanas pontudas ao longo do corpo, a cor da pele lisa e do seu pelo, notava-se claramente que o mesmo era o guarda visto na noite anterior a conversar com a mordoma da princesa Agnes, o guerreiro Telquine, Endiock Howell.

- Falknor Malakhi… O Mensageiro… O que o trás por aqui hoje? – O guarda Telquine recebia aquela criatura angelical com um pequeno sorriso de grande respeito.
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬- Uma mensagem urgente para o Rei – O homem Kinnara entregava rapidamente uma carta de papel dourado bem decorativo a Endiock.
- Uma mensagem escrita em papel dessa cor? Deve ser realmente urgente… - Endiock deu um suspiro enquanto aceitava levemente a carta em suas mãos e a observou com atenção, ele reparava que a mesma estava sem nenhum endereço específico, apenas uma mensagem que o guarda, por respeito, evitou ler, então decidiu perguntar de modo discreto – De onde ela veio? É uma notícia boa ou má?
- A carta veio directamente das mãos do nosso principal general, Raymond Howell. Sobre a gravidade da situação, isso é algo que apenas o rei pode decidir. – O homem alado dizia educadamente.
- O meu pai? Se ele rebaixou o seu orgulho para enviar uma mensagem destas é porque a situação não está realmente boa… - O Telquine ficava logo pensativo e assustado com todos aqueles detalhes.
- Pelo que compreendi, basicamente pede reforços, pois parece que existe mais alguém envolvido na situação… - Falknor acrescentava algum detalhe mínimo sobre tal novidade.
- Como assim mais alguém? – O guarda adotava logo uma expressão facial mais insegura e assustada do que o habitual.
- Pelo que os rumores dizem… A sua descrição coincide exactamente com a daquele bandido famoso, muito conhecido aqui na província de Sothica por… Manto do Abismo…
- O Manto do Abismo!? Era previsível… - O jovem guerreiro Endiock dava novamente um suspiro longo e preocupante – Esta luta nunca mais acaba… O que vale a pena é que uma parte importante daquele monstro horrendo já foi capturada…
- De acordo com o general, estes nossos inimigos não trabalham exactamente em conjunto… Muito pelo contrário, este bandido perigoso também anda em busca daquela criatura horripilante… A carta detém tudo pormenorizado em relação aos progressos da situação…
- Irei entrega-lha agora ao rei, imediatamente! – Endiock guardava a carta de modo bastante seguro e preparava-se para entrar dentro do palácio.
- Lembre-se… - O mensageiro dizia enquanto virava as costas, abria suas asas de anjo, olhava sua mochila para ter a certeza que estava tudo em ordem e preparava-se para mais uma das suas típicas e longas viagens de correio – Eu não quero ver mais tragédias causadas por algum membro da família Howell.
- Não se preocupe… Meu pai desta vez não vai cometer nenhum erro… – O guarda dizia com uma voz muito séria e ao mesmo tempo triste e calma.

O mensageiro Falknor dava um pequeno sorriso irónico, como se não acreditasse em tal e logo de seguida ergueu seu corpo aos céus, desaparecendo então por entre as altas nuvens daquela agradável manhã, já o guarda ficava pensativo observando a carta em suas mãos á medida que entrava no palácio para a entregar ao seu devido importante destinatário.

Depois de abrir o grande portão, Endiock encontrou-se num hall de entrada bem luxuoso que interligava-se a um longo corredor elegante, cheio de velhos quadros em paredes bastante trabalhadas e uma decoração riquíssima. Caminhava nervoso e com passos acelerados no meio de tanta fortuna e beleza real, apertando a carta dourada entre seus dedos profundamente preocupado.
 Chegou a um grande salão de perfeição inexplicável, dedicado a cerimónias e ocasiões especiais do mais alto nível, este realçava-se pelo imenso candelabro dourado repleto de diamantes pendurado com todo o cuidado no centro do tecto, toda a luz que entrava de altas janelas iluminava levemente as mais variadas relíquias valiosas e únicas, o que transmitia claramente e de forma digna toda a sensação de grande requinte e fortuna que o palácio inteiro oferecia.
Mesmo em frente era visível uma pequena subida de vários degraus bastante elegante coberta em seu centro por um longo tapete encarnado, no topo desta subida se encontrava quatro tronos posicionados de forma esbelta, aquela era a área reservada exclusivamente aos grandes monarcas de Dreamian, era estupenda e o mais belo espaço de todo o salão. Atrás desta zona localizava-se uma longa escadaria dupla muito elegante que possivelmente iria parar a mais algum longo corredor, conduzindo assim aos inúmeros e restantes aposentos reais.

Endiock suspirava de modo muito depressivo e pensativo, caminhava sobre o centro do longo tapete encarnado até chegar aos tais degraus e a seus graciosos tronos no seu topo, e ali educadamente ajoelhou-se, os dois maiores tronos pertenciam claramente ao rei e á rainha de Dreamian, ao lado destes, um em cada lado, era visível dois tronos menores. O guerreiro Endiock então realizava uma vénia muito educada para receber seu senhor, pois um homem ruivo, alto e magro com vestes da mais alta qualidade estava sentado num dos tronos centrais, aquele era o monarca Ryan Seurine III, mais conhecido por ‘’O Justiceiro’’, a entidade mais alta do reino, utilizava vestes de grande qualidade e os típicos símbolos e acessórios da realeza tais como a majestosa coroa sobre a cabeça, permanecia então sentado com uma expressão seria encarando o recém chegado guarda. Este monarca estava acompanhado por uma das empregadas do palácio e alguns guardas posicionados devidamente em pé ao lado dos tronos, á espera de ordens.
Curiosamente o trono que aparentava pertencer á rainha estava vazio, ao seu lado estava um dos dois tronos menores e sobre o assento de ambos era visível um pequeno ramo de flores, nomeadamente rosas brancas bem agradáveis, isto fora algo que realçou logo a atenção do guerreiro, que observava tal com um olhar carinhoso e respeitador. Ele estava claramente nervoso, depois de observar os tronos vazios e suas flores durante leves segundos, encarou o seu soberano e com poucas palavras lhe mostrava e entregava a carta dourada com gestos muito serenos e educados.

- Vossa Majestade, chegou uma mensagem importante para o senhor, vinda directamente das mãos do nosso general Raymond Howell.

O monarca logo aceitava o envelope dourado e com movimentos leves abria o mesmo, iniciou a sua leitura e durante os seguintes instantes não adotou uma boa expressão facial, o que fez com que o guerreiro Telquine acabasse ainda mais inseguro por estar na presença da entidade mais suprema do reino.

- Logo hoje é que surgiu estas novidades… - O rei fechava os seus olhos e dava um suspiro longo e extremamente impaciente.
- A situação é assim tão má? – O guerreiro perguntava inocentemente logo depois de observar a atitude negativa do seu monarca.
- Um pouco mas… Eu confio nele e nos seus homens para este dever… O problema é esta notícia surgir durante uma das datas e ocasiões mais importantes para o reino… Não convinha… - O Rei parecia extremamente incomodado com o conteúdo daquela carta.
- Datas e ocasiões mais importantes?... É verdade! - Endiock ficava extremamente vermelho, pois aparentemente se esqueceu da relevância daquele mês - A reunião do concílio na próxima semana! E amanhã o aniversário da princesa!
- Isso mesmo, sua cabeça oca! E falando sobre os membros do concílio… Eles já enviaram alguma confirmação em relação ás suas presença na reunião? Eu preciso de saber quem vai comparecer urgentemente… - O monarca cruzava os braços de um modo muito pensativo e igualmente muito impaciente enquanto observava o guarda e a carta dourada.
- Não senhor… E a princesa como está hoje? – Ele perguntava educadamente.
- Ainda não a vi hoje, por isso ainda não deve ter acordado ou saído do seu quarto… - O rei encarava a empregada que estava mesmo localizada ao seu lado.

Esta empregada observava atenciosamente e de forma seria o seu mestre á espera de uma ordem, de altura era extremamente baixa e parecia algum mamífero, neste caso um gato ou uma raposa humanóide com umas grandes orelhas pontudas e olhos arregalados além de uma longa cauda felpuda que se movimentava levemente de um lado para o outro, indicava ser uma Chingka, uma das espécies humanas de Dreamian mais raras de encontrar.

- Dona Lyndis, pode se certificar se a princesa está acordada? Se não, ela está muito atrasada, para as aulas com o seu mentor, hoje essas aulas são extremamente importantes…
- Claro meu senhor! – A voz da mulher gato parecia extremamente sedutora e provocadora, demonstrava ironia, ao mesmo tempo e estranhamente, lembrava a voz de uma criança – Mas a senhora Iara já não tratou desse assunto?
- A Iara? Curiosamente também ainda não a vi hoje… – O monarca ficava logo pensativo e um pouco irritado, fechou o punho e com raiva bateu com alguma violência sobre o braço do seu trono, amachucando um pouco este – Aquela desgraçada deve ter ficado acordada até tarde com aquelas práticas estúpidas e agora dorme até ao meio dia… Logo hoje!
- A Iara não é assim… Da forma como ela gosta da princesa Agnes, neste momento já deve estar enfiada no quarto da menina!… De todas nós, além de ser a nossa líder, é aquela que faz o melhor trabalho!... – A empregada começava a rir de forma estranha, sem motivo aparente após dizer tais palavras, enquanto o rei Ryan olhava para o lado, preocupado e muito pensativo, sem entender aquele comportamento da sua aia.
- Não é caso para tanto meu senhor… - O guarda Endiock dava um pequeno sorriso, na tentativa de reconfortar ou agradar o seu senhor – Pelo que eu sei, a mordoma Iara abandonou totalmente essas práticas…
- Eu não estava a conversar contigo seu rafeiro! – O Rei ficava extremamente irritado com a atitude intervencionista do guerreiro Telquine – Já entregou a carta, já fez o seu dever, então volte para o seu posto! Pare lá de ser um cachorro baldas!
- C… Certo… - Endiock dava meia volta, nervoso, e assim em passos muito acelerados, saia logo dali, pelo mesmo caminho e corredor por onde entrara e voltava então é sua doutrina de guarda.

- Ai ai… Estes soldados novatos… - A aia Lyndis dava um sorriso um pouco estranho e irónico, ela começava a falar sozinha os seus variados e aleatórios pensamentos – Telquines nunca sabem como trabalhar a sério… Bando de incompetentes… Como é que o rei aceitou aqui um lobo fedorento como guarda?…
- O que estás para ai a reclamar? Também não tens trabalho? – O Rei encarava a mulher com um olhar extremamente ameaçador, ele pareceu não ouvir as palavras negativas desta aia, ela baixava logo suas orelhas pontudas de gato e muito assustada arregalava seus grandes olhos felinos enquanto encarava o seu monarca.
- O senhor é que me mandou aqui acompanha-lho… - Lyndis apenas gaguejava em suas palavras cheias de medo e insegurança precisamente pelo seu soberano trata-lha daquela maneira, esta claramente não sabia como reagir e responder perante aquela situação.
- Vai mas é se certificar como a princesa está hoje, diga a esta para se despachar, o mestre Franklin O’Chicken não tem o dia todo! Ela tem que se preparar para a cerimónia de amanhã!
- Sim senhor! – Ela concordava com a ordem e então começava a andar rapidamente e a subir a grande e bela escadaria dupla que existia atrás da área dos tronos, até que o Rei a mandava imediatamente parar, pois precisava de transmitir alguma informação de relevância.
- E já agora, lembre-se e transmita esta informação ás restantes empregadas… Espero que aquele vestido cerimonial esteja pronto o mas rápido possível, eu quero que a minha filha esteja bem bonita e perfeitamente vestida com os tecidos da mais alta qualidade durante a reunião do concílio que ocorrerá daqui a uma semana, pois é a primeira vez que a minha menina vai participar em um acontecimento político desta dimensão, eu quero que ela impressione com sua tamanha beleza, pois terá que escolher entre os príncipes dos duques alguém decente para casar… Eu quero imediatamente um herdeiro de confiança e preparar uma Rainha apropriada á governação futura do reino!
- Claro senhor… – Lyndis respondeu á medida que fechava seus olhos e baixava sua cabeça como uma atitude de respeito e entendimento, logo depois esta começava novamente a correr sobre os inúmeros degraus da longa escadaria.

O soberano deu um pequeno suspiro excessivamente perturbante logo depois de se certificar que a empregada já estava bem longe dali a cumprir seu mais recente dever, então, encarou logo de seguira o seu lado e segurou carinhosamente nos buquês de flores encontrados sobre os assentos dos dois devidos tronos, em suas mãos observou-os durante muito tempo á medida que tocava levemente e carinhosamente com os seus dedos nas pétalas delicadas daquelas deslumbrantes rosas brancas, extremamente triste e pensativo.

- Luana… Minha magnifica rosa do luar… A nossa menina está a crescer… Eu estou fazendo os possíveis para o bem-estar dela e para o nosso reino… E eu espero que um dia… Me consigas perdoar por tudo aquilo que eu cometi… - O monarca demonstrava uma atitude muito desgostosa e dizia tais palavras em uma tonalidade profundamente suave.

Logo de seguida este pousava tais belos ramos de flores com muita ternura sobre os assentos na mesma posição como tais estavam encontrados anteriormente, depois iniciou uma leitura ainda mais atenciosa em relação á carta dourada que acabara de receber, voltando então aos seus deveres importantíssimos de entidade suprema do reino. Os guardas que acompanhavam o rei depois de ouvirem tais palavras baixaram as suas cabeças e armas de forma respeitosa, deixando assim durante muito tempo aquele salão em total silêncio.

A aia Lyndis chegava rapidamente a um grande corredor, tal como o restante palácio, muito elegante e repleto das mais antigas e valiosas riquezas ao longo das paredes, cheio de luz e beleza inexplicável que parecia transformar tudo em algo divino, ela andava em passos acelerados e chega a uma grande porta bastante graciosa no fundo do corredor, logo bateu na mesma.

- Vossa Alteza, está acordada? Posso entrar? – Ela perguntava educadamente.
- Claro que pode entrar sua parva! – Ela ouvia uma voz extremamente familiar, claramente não era a voz da princesa, mas Lyndis sabia de quem era, a Chingka logo adota uma expressão claramente impaciente e então abre a porta em gestos pouco formais, em tal instantes parecia que sua personalidade mudava completamente.

E estava realmente certa em seus pensamentos, a mordoma Iara já se encontrava ali, com o seu típico sorriso irónico e sempre nas brincadeiras parvas na tentativa de animar ou agradar a princesa. Na altura esta nobre Sonnure acompanhava e servia a jovem dama durante o seu pequeno-almoço fornecido com o mais alto requinte sobre uma pequena mesa em frente a um grande sofá bem aconchegante encontrado ao lado de uma grande estante de livros. Sentada elegantemente sobre este, a princesa Agnes se deliciava com uma grande quantia de alimentos leves e diversos que continha livremente á sua disposição. Em seu corpo usava o típico dos dias em que não existia grandes relevâncias para a família real, um vestido simples de um vermelho intenso com desenhos dourados e em tom laranja em bordado que lembravam deslumbrantes flores e chamas.
Sempre vista com um olhar extremamente triste e impaciente em sua face, o motivo era desconhecido, talvez devido a qualquer coisa que lhe ocorrera no pensamento durante aquele instante. De facto, eram poucas as refeições tomadas onde a grande família real se encontrava totalmente reunida, talvez seria essa a causa de tal comportamento depressivo, a sensação de solidão e falta de união da sua família.
Agnes geralmente tomava o seu pequeno-almoço acompanhada apenas pela sua fiel mordoma pessoal, porém passava grande parte do dia sozinha com o seu Almôndega vagueando pelos corredores e salões quase vazios e jardins fascinantes do enorme e riquíssimo palácio. Eram poucas as vezes em que era assistida e acompanhada pela mordoma Iara, pelo seu mentor Franklin, ou por Sebastian, outro mordomo que servia fielmente a princesa (e um antigo conselheiro da Rainha Luana e do Rei Ryan), mas os mesmos também tinham o seu trabalho bastante atarefado no palácio e se distanciavam frequentemente, apesar da mordoma Iara tentar fazer claramente um grande esforço para acompanhar e servir frequentemente a jovem, mesmo com pouco ou sem qualquer sucesso, Agnes então sentia-se muito solitária.

A mordoma Iara naquele momento limpava o quarto e arrumava a cama em gestos bastante dedicados, tentando sempre puxar alguma conversa com a princesa, já o pequeno mascote peludo desta, o Almôndega, corria pela divisão inteira, fazendo o que ele sabia fazer melhor, porcaria, este tentava remover de forma angustiante uma bela flor falsa, criada através de diversos tecidos coloridos presa em uma das extremidades de sua antena, era um acessório que o tornava ainda mais fofo do que o usual. Pela cara muito sorridente de Iara ao observar a atitude do Dreamur, foi esta a criadora de tal brincadeira para tentar animar a princesa de certa forma, mas novamente fracassada. A empregada Lyndis observava a cena muito impaciente.

- Eu não percebo porque andas sempre com um sorriso assim tão, alegre… – A Chingka entrava bruscamente no quarto e esta começava a teimar um assunto qualquer do nada, dando um olhar provocador sobre a mordoma  – A sua queridinha melhor amiga morreu por sua culpa, e estás para ai alegre e sorridente, és uma pessoa realmente interessante…
- Dona Lyndis… Por favor…. Mais respeito… – Iara ficava imediatamente séria e ansiosa ao ouvir tais palavras, depois encarava Agnes com receio de alguma coisa, esta ao se aperceber da presença daquela empregada mostrou naquele instante uma expressão ainda mais triste do que o usual em seu olhar e assim baixou a cabeça, concentrando-se na sua refeição e tentando ignorar a conversa para passar de despercebida no meio da situação.
- Bom… O grande monarca Ryan me mandou aqui… Avisar que a senhorita Agnes está atrasada para aquelas aulas estúpidas com o mentor parvo do Franklin.
- Eu tenho noção disso… - A nobre Sonnure fechava os seus olhos na tentativa de conter sua impaciência, depois encarou brevemente a jovem e o que esta fazia no momento – A princesa já está mesmo a terminar a refeição… Talvez mais uns…. Dez minutos?... E ela já vai imediatamente ao encontro do mestre Frank… Ele que tenha paciência… Calma e paciência é a chave.
– Calma e paciência são a chave? Que estúpido… Então vamos lá testar essa sua… Calma e paciência!... De que gostas tanto de falar… - Lyndis começava a rir muito alto de uma forma assustadora por tal, assim rapidamente atirava todo o seu pequeno corpo peludo para cima da cama da princesa, se deitou na mesma, numa atitude inconveniente para o seu estatuto de empregada doméstica, a mordoma observava esta e seu sorriso provocante com um olhar perplexo - Eu não tenho nada de jeito e de que eu goste de fazer agora por isso… Não se importa de trabalhar por mim? Fazer o meu trabalho que eu nem sei qual é senhorita Iara Lavender.
- Que descaramento! Primeiro chifrou o marido que a amava tanto com outro e deixou cinco filhos abandonados, e agora é uma preguiçosa que ganha o seu ordenado às custas dos outros… - A mordoma Iara iniciava assim um olhar ameaçador sobre a sua colega de trabalho depois de se aperceber daquela atitude rude e gestos preguiçosos e inconvenientes para a classe baixa de tal mulher.
- O meu estilho de vida não é de sua conta – Ela sorria mais uma vez com um olhar provocante e mesmo ali deitada começava a lamber e a lavar usando a sua língua a própria pata dianteira, como se fosse a entidade superior ali dentro.
- Então não reclame sobre… Aquilo… Porque a minha vida também não é da sua conta – A outra mulher encarava a Chingka usando um sorriso muito sarcástico – E já agora, essa cama é da princesa, e eu acabei de a arrumar, por favor, tira dai esse seu rabo peludo e porcalhão. O rei odeia pelos nos cobertores! E pare lá de desrespeitar o trabalho dos outros!
- Sério? É assim que fazes o teu trabalho como… Mordoma? – Lyndis encarava Iara de um modo muito sério e murmurava tais palavras – Eu não acredito que o rei foi capaz de te entregar tal cargo…
- Sim! Sou eu quem deixa tudo em ordem aqui dentro, por isso se queres assim tanto trabalhar e não tens nada de jeito para fazer neste preciso momento, vai ajudar na cozinha e nos preparativos para amanhã! Eu sei que tal coisa é do pouco que gostas de fazer, já que és uma boa cozinheira…
- Então… Decidiu ser uma mordoma da realeza verdadeira assim de repente? Só porque eu chamei a atenção?… Que grande discurso e repreensão chata… - Esta mais uma vez deu um longo e impaciente suspiro, logo de seguida olhou para Iara com um sorriso extremamente falso e ameaçador enquanto posicionava-se de uma forma muito provocante - E se eu não quiser fazer isso? O que vais fazer?... Vamos! Mostre a sua verdadeira paciência e calma além de seu trabalho como mordoma!

A mordoma fechou os olhos com alguma fúria, Iara era de facto muito pacifica mas naquele momento esta mudou completamente, em gestos acelerados esticou a sua mão, um pequeno raio eléctrico saia da ponta dos seus dedos e acertava directamente no pelo da Chingka, um golpe rápido e certeiro, no lugar ficava a marca de uma grande queimadura e pelo machucado de onde saia algum fumo, Lyndis permaneceu igualmente irritada e começava a reclamar para si própria, á medida que sentia algumas dores devido a tal golpe.

- Magia Elemental… É melhor deixares de ser alguém assim tão miserável e ires logo cumprir os teus deveres diários, sabes muito bem quais são!... Além disso… Existe muito mais poder de onde esse raio veio e eu não tenho medo de usar! – A mordoma sorria de forma motivadora, ela fechava a mão e depois a abria, uma pequena bola de fogo aparecia no seu palmo – Se não gostas de agressões físicas, eu também posso voltar a trabalhar com algumas maldições… Mas eu não vou voltar a essas práticas por causa de uma gata estúpida…
- Sua bruxa desgraçada, espera só até o rei saber disto – Lyndis saia de cima da cama irritada e esfregava a mão no seu ferimento na tentativa de aliviar a dor que a mesma sentia no momento - Não podes atacar as tuas empregadas assim! Serás despedida do trabalho por causa disto!
- Eu só estou a tentar impor, educação… E em comparação com as coisas que tu fazes no trabalho, isso não foi nada minha querida! – A Sonnure sorria muito ironicamente.
- És a estúpida da nossa líder e representante das aias do palácio, não tens direito em fazer isto! – Ela continuava a se queixar, talvez Iara por ser a mordoma representante de todas as aias não tenha de facto agido de modo correto, tal como a própria Lyndis.
- O meu título de mordoma agora não importa, tens mais probabilidades de seres despedida do que eu, pois cada caso é perfeitamente avaliado. Eu não fiz nada de muito grave, ao contrário do teu comportamento idiota e incorrecto, mas boa sorte em convencer o nosso rei o contrário!...
- Comportamento idiota e incorrecto? E como é o seu? Atacar as empregadas assim? É dessa forma que fazes os teus deveres como mordoma?
- Eu estou num cargo muito abaixo do rei, logo eu respeito fielmente todas as ordens dele, e ele deu-me permissão para tais agressões físicas caso exista comportamentos irregulares nas empregadas do seu palácio… Assim, como eu sou a sua representante na realeza, tens que me respeitar a mim e ao meu trabalho, além do trabalho de todas as outras, como também seguires as minhas ordens, que são as ordens do próprio rei! Por isso se eu quisesse realmente denunciar-te ao nosso grande senhor por estes inconvenientes, já estavas despedida!

Aquela gata humanóide saia do quarto de forma muito assanhada, com um olhar extremamente ameaçador em sua face, ignorou completamente grande parte daquele discurso e quase deixava a mordoma ali a falar sozinha. Iara retribuía tal olhar, o que indicava que ambas se odiavam uma á outra e podiam ser consideradas inimigas perigosas, tal situação pelos vistos ocorria principalmente por parte de Lyndis e dos seus atos incómodos.

- Qual o problema dela? – A princesa Agnes ficava muito incomodada com a conduta mal-educada daquela empregada felina.
- Esquece, ela é uma mimada sem coração, não vale a pena… E eu sinceramente nunca a entendi… Basta tentar ignorar… - A mordoma fechava os olhos na tentativa de encontrar algum relaxamento e dessa forma dispersar as energias negativas em seu corpo, e assim, logo de seguida começou a sorrir muito, voltando então á sua atitude positiva enquanto terminava de limpar uma determinada área do quarto.

A princesa logo finalizava a sua refeição, depois ficava observando o seu Almôndega, que rebolava e corria como um louco, ele continuava na sua impossível missão de remover aquela flor de sua antena, ficou o tempo inteiro assim, criando uma grande desarrumação dentro do quarto da dama, destruindo tudo o que mordoma Iara já tinha arrumado.

- A ordem natural é a desordem! Esta é a filosofia do Almôndega! – A mordoma Iara também observava toda a barafunda causada pelo animal e começava a rir novamente da situação humilhante que o pequeno Dreamur estava a sentir sobre si – Bem… Não se preocupe minha querida princesa, eu limpo tudo isto antes do almoço… Se conseguir claro…
- Meu aniversário é amanhã… Tenho muito que fazer hoje… - A princesa estava muito pensativa – Quem será os convidados do meu pai que vão comparecer?
- Os membros do Concílio não são de certeza… Essas famílias usualmente nunca estão presentes no seu aniversario por… Respeito… - Iara dizia aquelas palavras de um modo muito depressivo, algo que incomodou profundamente a princesa
- Eu sei mas… Será que a tia Judy e a tia Lucy vão aparecer? – A princesa tentava mudar para outro detalhe daquele assunto de alguma forma.
- As tuas tias aventureiras, aquela dupla maluca?... – Novamente, a Sonnure por algum motivo começava a sorrir subitamente – Aquelas doidas bêbadas, as únicas que te conseguem animar! Elas enviaram uma mensagem a semana passada através do nosso mensageiro Falknor, na altura ambas declararam que como são mulheres e viajantes ocupadas vão fazer uma pequena visita na véspera do grande dia… Ou seja, hoje!

A jovem baixava a sua cabeça brevemente, de novo a sua mente era invadida por pensamentos e lembranças que a deixaram triste como de costume, a mordoma apercebeu-se de tal e naquele instante começou a tentar controlar e apanhar o Almôndega como mais uma tentativa fracassada de animar a sua princesa, porém a criatura peluda, muito irrequieta, fugia dos braços desta e subia para o cimo de uma das estantes de livros do quarto, precisamente aquela que estava mesmo ao lado do sofá onde a princesa se encontrava.
Na tentativa frustrada de não ser caçado por aquela mulher curiosa com características de cervídeo em seu corpo, a criatura começou a atirar livros contra a nobre Sonnure, esta recebia com todos os golpes propositadamente, depois recolhia os mesmos do chão e arrumava novamente no seu devido lugar, Iara parecia estar a se divertir com o seu próprio emprego ao irritar o mascote da princesa.
Sem se despedir nem avisar, em passos rápidos e de total silêncio, a jovem então saiu do seu elegante quarto, deixando a mordoma e o pequeno Dreamur na folia, Iara de repente olhou para os lados e se apercebeu da falta e desaparecimento súbito da princesa.

- Misteriosa e silenciosa… És realmente igual e ela… - A mordoma ficava triste com tal comportamento de Agnes que lhe relembrava alguém do passado, o Almôndega logo para, pareceu naquele instante entrar em pânico por não saber onde estaria a sua querida dona, Iara decidiu continuar os seus trabalhos domésticos e incomodar o animal, para se divertir á medida que realizava os seus deveres diários de empregada além de tentar distrair o mascote da princesa para este não ficar a se sentir solitário em tal altura.

Agnes andava elegantemente no tal longo corredor, apesar da decoração única e deslumbrante e toda a excelência da realeza demonstrada em tal divisão do palácio, era totalmente deserta, eram poucas as pessoas vistas a vaguear neste, e dessas poucas pessoas sentidas eram apenas guardas que se dedicavam á garantia da segurança da família real.

- Bom dia vossa Alteza – Alguns dos poucos guardas por onde ela passava diziam com um grande sorriso e muito educadamente, alguns até mesmo com uma vénia ou algum beijo delicado nas mãos desta, Agnes retribuía com um pequeno sorriso forçado, porém quase ignorava tais figuras e olhava sempre em frente, voltando á sua atitude depressiva e sensação isolada á medida que caminhava.

Passou por várias escadarias que dariam a outros corredores, além de inúmeras portas fechadas que interligavam até os restantes aposentos reais, depois de mais algum tempo a caminhar solitariamente e sem ver mais ninguém além de cavaleiros naqueles longos corredores riquíssimos mas vazios, esta finalmente atinge o seu pretendido destino ao encontrar uma grande porta dupla de aparência bastante antiga.
Calmamente segura a velha maçaneta da porta e abre esta, entrando assim sorrateiramente nesta área, encontrou-se então numa sala que se realçava por ser repleta de globos em cima de algumas mesas, mapas nas paredes, muitas estantes de livros, um grande quadro de giz entre outras características que distinguia tal divisão de todas as restantes, pois a mesma não era tão requintada como usual no restante palácio. Claramente lembrava uma pequena sala de aulas de uma escola típica, mas um pouco mais organizada e sofisticada, com maior disponibilidade de materiais diversos e remetentes ao ensino.

Um homem que aparentava ser normal e cheio de traços formais estava sentado numa grande mesa secretária no centro daquela nobre e agradável sala, ele usava um típico fato e gravata, levemente olhou com uma expressão severa para a princesa, mas depois desviou os seus olhos para um amontoado de papelada bem organizada que analisava antes de tal presença real surgir, de certo modo bastante impaciente.

- Vossa Alteza… Estás muito atrasada – O homem dizia á medida que desviava novamente seus olhos, desta vez encarou suas calças, removia da algibeira algum objecto, claramente um antiquado relógio de bolso e assim analisou as horas atuais marcadas neste.
- Desculpe Mestre Franklin… - A jovem se desculpava pelo atraso, usando uma tonalidade de voz muito tímida e baixa á medida que aproximava-se do tal solene homem, depois sentou-se levemente num cadeirão almofadado que existia mesmo em frente á secretaria do seu mentor, no centro daquela nobre divisão.
- Bem… Hoje vamos recapitular umas informações importantes e que, como futura Rainha, tens que obrigatoriamente saber… Especialmente agora que irás participar naquela reunião pela primeira vez na próxima semana… - Ele pronunciou tais palavras á medida que endireitava uns pequenos óculos que utilizava e lia as palavras de papéis específicos que existiam sobre sua secretária, confirmando então os seus deveres do dia.
- Eu sei mestre… - Ela respondia educadamente mas por outro lado pareceu impaciente e um pouco irritada por algum motivo que lhe ocorrera á mente.
- Vamos iniciar logo as lições de hoje – O mentor dava um suspiro, indicando a possibilidade deste não estar satisfeito por qualquer coisa – Talvez não vamos conseguir dar tudo o que eu tinha planeado no tempo que falta mas… Vamos fazer um esforço… Como princesa de Dreamian, tens que aprender que tempo é sinónimo de dinheiro… Tens que acordar mais cedo e gerir melhor os teus horários…
- A mordoma Iara disse que a calma e paciência é o mais importante… - A princesa ficava um pouco confusa e olhava seriamente para o seu mentor.
- E quem é o seu orientador aqui? Vocês não são do mesmo estatuto social, a Iara não sabe de nada sobre a verdadeira realeza, Sonnures só dizem mentiras, devias a ignorar… Porque ligas ás frases de uma empregada e bruxa estúpida?  - Franklin repreendeu a princesa de um modo um pouco severo, talvez demasiado, ela ficava imediatamente perturbada e baixou a cabeça de forma triste devido a tal.
- Ela não é uma bruxa estúpida… - Agnes murmurava á medida que fechava os seus olhos lentamente, parecia querer dizer mais alguma coisa em relação ao assunto, mas preferiu engolir a crítica para evitar criar algum conflito inconveniente.
– Bem… Vamos ao que realmente interessa… Menina, sabes explicar-me o que é a Reunião do Concílio? – O homem perguntou, iniciando finalmente as suas aulas apropriadamente ditas.

A princesa ficou um pouco nervosa com tal questão, mas encarou directamente o seu professor, respirou fundo, usando muita serenidade e calma, começou dizendo palavra por palavra assim, lentamente e um pouco tímida, transmitia todas as respostas pretendidas.

- O Concílio é um grupo de pessoas a que chamamos de Duques e Duquesas… Representantes das várias Províncias do Reino e que ajudam o rei na sua governação… Eles vem até ele cerca de três vezes por ano com um objectivo comum… Tomar e partilhar decisões sobre um pouco de tudo, tal como assuntos políticos e guerras…
- Sabes dizer quantas Províncias existem, quais são e quantos representantes tem cada uma? – O homem levantou-se da secretária e andou em passos rápidos até um grande mapa antigo localizado na parede ao lado do velho quadro de giz, e apontou para o mesmo que continha a imagem básica do Reino de Dreamian, sem mais nenhuma legenda nem nomes descritivos remetentes ás divisões territoriais deste.
- Sothica, Naimin, Slakioj, Fortarv, Ventai, Praidar e Almont… Cada uma das sete províncias que formam nosso reino tem cerca de uma a três famílias de Duques e Duquesas representantes...
- E quantos representantes exactamente têm cada uma? – O homem repetia uma parte da questão anterior pelo qual a princesa não respondeu completamente.
- Sothica tem três famílias de representantes, entre eles a do meu tio Richard e sua esposa, a tia Roxie, a província de Ventai também tem três, Fortarv e Praidar tem duas, Naimin, Slakioj e Almont tem uma… No total são treze famílias representantes… Ou seja, por volta de vinte e seis Duques e Duquesas que se reúnem com o rei…
- Muito bem menina… - O homem dava um grande sorriso, de facto, a princesa Agnes parecia muito inteligente – É também importante ressaltar que o Rei é a entidade suprema, por isso os Duques apenas ajudam o seu soberano nas decisões e a transmitir informações importantes, os Duques levam as palavras do nosso povo até o rei, e este obrigatoriamente faz o máximo que puder para agradar e criar o bem estar de todos… Resumidamente o soberano faz o que é suposto e acha melhor para o seu povo e o seu reino… Deste modo o Concílio é como um parlamento… Significa que Dreamian segue um estilho próprio de governação que lembra uma Monarquia Parlamentar.

A princesa movimentava calmamente sua cabeça como sinal que entendia e concordava com todos aqueles detalhes e palavras do seu mentor, logo de seguida aconteceu um pequeno momento de silêncio. Franklin voltou a sentar-se sobre a cadeira almofadada em frente á princesa, endireitou a papelada que existia sobre a sua secretária á medida que encarava a dama de modo sério, para ela tal sossego e tanta atenção sobre si fora algo um pouco assustador, o que fez esta sentir-se bastante incomodada e insegura. O mentor apercebeu-se de tal nervosismo e começou a sorrir inesperadamente, era um pequeno sorriso sincero na tentativa de ser reconfortante, então o mesmo decide perguntar algo que lhe ocorrera na mente, quebrando assim tal preciso e breve momento de sigilo perturbante.

- Como pensas escolher o teu pretendente no dia da reunião?
- Não sei… - Depois de ouvir tais palavras tranquilas do seu mentor Frank, Agnes acabou por se relembrar de algo pelo qual seria obrigada a cometer futuramente e assim demonstrou com comportamentos inquietos uma grande variedade de emoções, entre estas tristeza, fúria e confusão, o homem apercebeu-se de tal frustração – Eu vou ser realmente obrigada a isto?...
- Devias estar mais feliz porque nasceste em tempos modernos, antigamente era o próprio Rei quem escolhia o marido para a filha, e não a própria princesa a escolher este livremente… - Franklin dizia tal com palavras muito serenas - Eu vou dar-te uma pequena sugestão vossa alteza… Sugestão sábia e simples como meu dever de seu mentor... Usa o bom e velho senso comum.
- Senso comum?
- Sim… Observa e analisa cada príncipe que te for apresentado, escolhe aquele que achares melhor para ti e para todas as pessoas do teu futuro reino, faz o que melhor convêm…
- O que melhor convêm? Mas… Como?
- Não te posso dizer muito mas… Pensa em tal como um teste, um teste para todos perceberem aquilo que és capaz e aquilo que serás capaz de fazer como futura Rainha de Dreamian. Tens que provar que és realmente a merecedora de tal título! Na minha humilde opinião, apenas reflecte sobre a situação do povo, seus problemas e a forma como os deves resolver e principalmente na forma como tal escolha será favorável para todos.
- Minha mãe disse que o mais importante é… Criar paz e igualdade, bem-estar entre o povo mas… Como eu vou fazer isso através de um… Casamento? – Ela questionava e parecia imensamente confusa com toda a conversa.
- Tens que descobrir sozinha… Pois tal é algo que só o tempo dirá…  - Murmurou ele com uma voz bem reconfortante e um longo sorriso carinhoso em sua face.




Aviso:
Capitulo sujeito a modificações!


Notas da Autora:
Aqui está o 2º Capitulo do meu querido livro.
Devo admitir que até agora foi um dos mais difíceis para mim de escrever e concluir, e ainda sinto que nesta atual versão existe algumas pequenas coisas que não estão bem exatamente como eu quero...
O Capitulo é composto essencialmente por frases remetentes a cenas futuras, tenham em atenção tal, além de algumas pistas sobre o passado das personagens.
Devo realçar a existência dessa tal Carta, parece uma coisa simples que está ai só para ''encher linguiça'', mas fiquem avisados que a mesma irá gerar grande confusão no futuro. Tal como o titulo do Capitulo indica, tudo, ou quase tudo, aqui explicito é ''Algo que só o tempo dirá'', mas é claro, não se deixem iludir com o que tudo realmente parece, quem me conhece sabe que eu adoro ''Plot Twist''.

Na primeira versão escrita para este Capitulo, eu iria incluir logo os acontecimentos da ''Reunião do Concilio'', mas acabei por achar que dessa forma todo o enredo ia acontecer demasiado rápido. Então para abrandar o espaço de tempo entre acontecimentos, além de dar mas espaço para a exploração de determinadas personagens nos próximos Capítulos, cortei com a ''Reunião'' e adaptei esta nos Capítulos futuros, onde a mesma se encaixa bem melhor.
Na segunda versão escrita, era para incluir logo um dos Antagonistas, mas acabei por remover o pouco que já tinha escrito em relação a tais acontecimentos, pois achei que dessa forma o Capitulo iria permanecer demasiado grande para o meu gosto, além de ainda ser demasiado cedo para guerras de tal dimensão.

Assim, devo ter reescrito este Capitulo vezes incontáveis, estou quase sempre mudando ou removendo algumas frases... Mas por agora vou deixar assim, e no futuro quando criar revisões mais profundas a todo o texto irei tentar deixar tudo um pouco mais claro.

Uma das principais coisas que eu mude futuramente é a discussão entre Iara e Lyndis, sinto que as ideias desta estão muito confusas para os leitores. Sobre as pequenas informações do Concilio e das Províncias do reino, as mesmas seriam originalmente explicitas em algum especial para o blog, mas decidi manter no próprio livro já que tais tem grande relevância para um melhor entendimento do mundo de Dreamian e assim eu posso jogar melhor com as palavras futuramente, sem estar preocupada em explicar na altura tudo um pouco, pois tal explicação já foi referida anteriormente.

Aproveito também para avisar que atualizei os anteriores Capítulos publicados aqui no blog para a sua mais atual versão. Agora inúmeros erros de enredo ou frases mal estruturadas estão corrigidas, além de algumas melhorias consideráveis de descrições, vale muito a pena relerem, assim, o Prologo e o Capitulo 1, mas principalmente o Capitulo 1.
Espero que gostem!

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